Universidade
Federal do Pará - UFPA
Instituto de
Ciências das Artes- ICA
Escola de
Teatro e Dança da UFPA - ETDUFPA
Licenciatura
Plena em Dança - 2012
STEPHANY
DE PAULA CASTRO BRAGA
A
DANÇA DAS COBRAS NO FESTIVAL DO AÇAÍ EM IGARAPÉ-MIRI.
BELÉM-PA
Abril
de 2013
Universidade
Federal do Pará - UFPA
Instituto de
Ciências das Artes- ICA
Escola de
Teatro e Dança da UFPA - ETDUFPA
Licenciatura
Plena em Dança - 2012
STEPHANY
DE PAULA CASTRO BRAGA
A
DANÇA DAS COBRAS NO FESTIVAL DO AÇAÍ EM IGARAPÉ-MIRI.
Projeto de pesquisa
apresentado à coordenação do curso de Licenciatura Plena em Dança, da Escola de
Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, como requisito para a obtenção
de nota parcial na disciplina Metodologia de pesquisa em Artes ministrada pelas
Professoras Luíza Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima.
Orientador (a): EDER
MENDES JASTES.
BELÉM-PA
2013
SUMÁRIO
1.
Contextualização.................................................................
4
2. Objetivos..............................................................................
5
3.
Delimitação..........................................................................
6
4.
Justificativa..........................................................................
8
5. Problematização e
Hipótese.................................................9
6. Estado da arte e Referencial teórico....................................10
7. Metodologia........................................................................11
8. Sumário provisório.............................................................13
11. Cronograma......................................................................14
12.
Referências.......................................................................15
13.
Anexos..............................................................................16
CONTEXTUALIZAÇÃO
Igarapé-miri é um
município do estado do Pará e é conhecido como “a capital mundial do açaí”, por
ser o maior produtor do referido fruto. De origem indígena, traduzido da língua
tupi que dizer "Caminho de canoa pequena" - Apé
("caminho"), Ygara ("canoa") e Mirim ("pequeno").
É um município que possui uma cultura muito rica, que nem sempre foi tão
valorizada, mas que agora está sendo resgatada e vista com bons olhos. O
município apresenta várias atrações turísticas, entre as quais estão às
festividades, destacando-se a Festividade de Santana, Festival do Camarão e
Festival do Açaí.
O primeiro
Festival do Açaí de Igarapé-miri aconteceu na quadra da Escola Manoel Antônio
de Castro, no ano de 1991, tendo como um de seus pioneiros o jornalista miriense
Dorival Galvão, sendo que, com o passar dos anos, tal manifestação foi
crescendo e hoje é considerado um dos mais tradicionais festivais da região. No
Festival do Açaí, o objetivo maior é celebrar o açaí, fruto mais rico da
região, que move o município. No festival há várias iguarias feitas do fruto,
como bolo, sorvete, doces, e outros. No almoço do festival se come camarão,
peixes e charque, alimentos típicos da região acompanhados do açaí. Nos três
dias em que a programação ocorre há a exibição de diversas atrações como shows
de bandas e músicos locais, danças regionais, etc. Entre estas atrações, a mais
esperada, nos últimos anos, é O encontro das cobras.
O encontro das cobras teve
seu início no ano de 2009, dentro do Festival do Açaí; Na manifestação, as
cobras partem dos bairros do Jatuíra e Tucumã, andando em cortejo pelas ruas da
cidade, que meses antes do Festival, já começa a confeccionar os adereços utilizados
na manifestação, que são feito de pano, isopor, tintas, objetos artesanais e
outros aviamentos. Os moradores do local ficam na expectativa para o grande
encontro, tanto as famílias que saem juntos festejando ao lado da cobra do seu respectivo
bairro, quanto o restante da população que ficam a espera, aguardando tal
encontro.
OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL: Descrever o encontro das cobras no festival do
açaí no município de Igarapé-miri.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Apresentar a
lenda da cobra grande, Boiúna, na região amazônica com ênfase no Encontro
das cobras de Igarapé-miri.
- Explicar como
se dá o encontro das cobras no festival do açaí em Igarapé-miri.
- Registrar a
manifestação O encontro das cobras, a partir de uma perspectiva
antropológica.
- Refletir
sobre a espetacularidade no encontro das cobras, partindo de um olhar cênico
e etnocenológico, sobre as performances executadas nas apresentações.
DELIMITAÇÃO
O encontro das cobras no Festival do Açaí, em Igarapé-miri, retrata a
história da luta das cobras grandes Rosalina e Ponta negra, ao se encontrarem
na boca do rio que banha Igarapé-miri. Diz a lenda que em uma tribo de índios
que moravam as margens do igarapé Tatin com a junção do rio Mamangal, houve um
assassinato do Cacique da tribo Anam pelo próprio filho, devido a esposa do
filho ser amante do cacique. Por ter ocorrido este fato, a tribo teve que se
mudar da região, sendo atacada por uma tribo rival chamada Camarapins,
exatamente no momento em que passavam pelo rio Meruú. Mas a Deusa da Vingança,
que protegia a tribo dos Anam, apareceu montada em sua enorme cobra grande de
estimação que morava no rio Mamangal. Foi então que a Deusa da vingança rogou
uma praga para a tribo dos Camarapins, que de cem em cem anos naquela tribo
nasceriam duas cobras encantadas.
Os Camarapins intercederam para a Deusa protetora de sua tribo, a Deusa
da Redenção, sendo que esta disse que, para quebrar com a maldição, teria que
pingar o leite de uma índia que não fosse a mãe das cobras encantadas, na testa
das cobras, mas infelizmente no tempo em que as cobras nasceram não havia outra
mulher de parto. Em consequência disso, as duas tribos se extinguiram com a
civilização, mas dos descendentes da tribo que moravam no rio Cají, perto do
Meruú, nasceram duas cobras, uma delas foi morta pela parteira e a outra
batizada de Rosalina e solta no rio Cají. Com o tempo foi se esquecendo da
história, foi então que a família da cobra Rosalina se mudou para o Muncípio de
Igarapé-miri velho.
A família da cobra Rosalina se
mudou para o a sede de Igarapé-miri Velho, e ela acompanhou a família até a
Boca de Espera, no qual foi atacada pela Cobra Grande Ponta Negra, que já
habitava o rio que banha Igarapé-miri. Foram três dias de batalha. Foi então que
a Rosalina enfiou uma estaca de madeira nos olhos da cobra Ponta Negra que, com
muita dor, largou a cobra Rosalina; Esta começou a habitar na parte mais larga
do pequeno rio do Jatuíra, e hoje é reconhecido devido a Cobra Rosalina
descansar no fundo de um poço, no rio. E a Cobra Ponta Negra saiu em direção a
Vila Maiuatá.
Esta história é ilustrada
no Encontro das cobras no Festival do Açaí, em Igarapé-miri. Após percorrerem
as ruas da cidade, uma para cada lado, elas se encontram dentro do Centro
cultural onde acontece o Festival do Açaí quando todos já estão aguardando o
desfecho. É quando acontece o encontro das cobras grandes, um desfile de
espetacularidades, cada um com sua performance, encenando seus personagens com
danças ou pequenos cenas teatrais. Assim acontece o encontro das cobras;
encenações da lenda em forma de teatro e danças que retratam a história das
cobras e mobiliza grande parte da população local.
JUSTIFICATIVA
Como justificativa
pessoal trago minha vivência cultural em Igarapé-miri. Primeiro nascida e
criada no município de Igarapé-miri, desde criança participava de todos os
festivais com danças regionais e tudo que estava relacionado a cultura eu
estava inserida. Até que, em 2008, tive que mudar de cidade e fui morar em
Mosqueiro; Com isso, me afastei da dança, da cultura de Igarapé-miri, mas as
lembranças e tudo que dancei, participei e vivi naquele município jamais eu vou
esquecer. O amor que eu tenho pela dança veio de lá, toda a minha cultura
nasceu lá. Infelizmente esse Encontro das cobras veio acontecer só no ano de
2009, no Festival do Açaí. Quando falo “infelizmente”, eu quero dizer que é
devido a não ter estado presente nesse momento que é histórico para a história
de Igarapé-miri.
É de grande importância
trazer este movimento cultural do município para a Universidade, pois, como
aluna, ao pesquisar sobre este movimento cultural de Igarapé-miri, não consegui
encontrei registros; o que encontrei era superficial. Com minha pesquisa irei
contribuir para a Etnocenologia, pois estuda as diferentes manifestações
espetaculares. Também venho trazer o estudo da dança das cobras que é uma rica
cultura não tão conhecida. Trago isto como relevância acadêmica.
No âmbito social, primeiramente,
falo por mim e, tenho certeza que, através das minhas palavras, ela irá
preencher a relevância social; Quando leio alguma informação sobre minha terra
natal, ou sobre lendas, ou qualquer outra informação que vem se referir da minha
origem, eu fico muito feliz em saber que alguém olha para nossa região, nossa
história, nossas lendas, mitos etc. Fico passeando nas minhas lembranças quando
eu ouço e vejo falarem sobre a minha cultura. E isso faz com que eu queira
escrever sobre o encontro das cobras de Igarapé-miri, pois sei que a população
de lá vai sentir as mesmas sensações que eu sinto quando leio sobre minha terra.
E sei que essa pesquisa que irei fazer vai enriquecer mais ainda a cultura
popular de Igarapé-miri, contribuindo assim para a cultura local.
PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESE
Como descrever
o Encontro das cobras no Festival do Açaí do município de Igarapé-miri?
Através de um estudo de campo, antes e durante o Festival para que eu
possa vim conhecer de fato como é que se dá este espetáculo. Para que eu possa
descrever cada pedaço do espetáculo, do início ao término, do encontro das
cobras, terei primeiro que conhecer bastante sobre este manifestação; E dentro
da pesquisa de campo que farei, vou entrevistar cada brincante, desde a que faz
a cobra, até a costureira que faz a roupa desta, para saber se há uma relação
antes, de todos os que estão envolvidos no espetáculo. E é a partir desta
pesquisa de campo, com entrevistas e filmagens que irei descrever tudo o que eu
presenciei como pesquisadora, para repassar esta pesquisa para um trabalho mais
elaborado.
ESTADO DA ARTE e REFERENCIAL
TEÓRICO
O
encontro das cobras no município de Igarapé-miri trata-se de uma manifestação
cultural na qual a população representa uma lenda através da dança e teatro, um
desfile de expressão social que está inserido no coletivo. E sobre essa
manifestação cultural Paes Loureiro diz:
O
folclore, cuja compreensão e cujo conceito foram transportados a bagagem do
processo colonizado, implica uma forma de manifestação cultural
reconhecidamente antiga, sem identificação de autoria, revelando peculiaridade
do temperamento de uma sociedade numa fase de sua história cultural e
representando uma forma de expressão social, tanto que a individualidade
criadora está absorvida por sua expressão coletiva. (LOUREIRO, PAES 2000, p. 32)
Uma luta entre as cobras grandes é o que acontece no encontro das cobras
na lenda, uma disputa de território. E o encontro das cobras, que acontece dentro
do Festival do Açaí é exatamente isso, um espetáculo que saem de um bairro e
passeiam pelas ruas que ao se encontrarem há uma disputa, e Eder Mendes (2004)
diz “Essa tensão, que leva a disputa de poder, consequentemente resulta
em brigas, retrato do jogo social... Ou seja, é a espetacularidade dos cantos e
esquinas, bairros e cidades”.
Na lenda das cobras grandes Rosalina e Ponta negra, cada
uma habitam em um rio e só acontece a disputa no momento em que a cobra
Rosalina passa pelo rio da cobra Ponta negra e para este acontecimento há uma
explicação que Luís da Câmara diz sobre a respeito que “É a explicação dada aos
estudiosos. Cada igarapé, rio, lago, tem sua Mãe e esta só aparece como uma
imensa serpente”. ( CASCUDO, LUÍS CÂMARA 2002, p.154).
Seguindo a linha de José
Carvalho apud Cascudo, Luís Câmara que diz:
A
muita gente, ha de parecer fácil colher, entre o povo, fatos que sirvam para o
registro e documentação de estudos folclóricos. Assim não é, no entanto.
Viva-se por longos tempos convivendo com o povo simples dos sertões, e muita
coisa interessante não se lhe ouvi, senão, muitas vezes, ocasionalmente. Se o
fato é conhecido do investigador, e se por ele se indaga, fácil será
conhecê-lo; mas, não o sendo, eis aí a dificuldade. (CARVALHO, JOSÉ 1872-1933,
p. 156)
E é isso que eu irei fazer, várias pesquisas de campo para que eu possa
registrar fatos que só vivenciando por um tempo, em uma determinada localidade podem-se
conseguir esses fatos, que por muitas vezes são soltos em conversas que não
necessariamente são as feitas em pesquisa, que com um espírito investigativo
acaba-se inserindo no trabalho.
METODOLOGIA
Como método de abordagem para esta pesquisa irei utilizar
o método etnográfico, pois se realizará um estudo descritivo acerca dos
aspectos culturais e sociais de determinado povo, que no caso é os moradores
dos bairros na qual saem as cobras, através de obtenção de dados em pesquisa de
campo de valor antropológico. Esta pesquisa, a partir de seu objetivo maior,
tem uma finalidade básica que é contribuir para o avanço do conhecimento
teórico sobre o Encontro das cobras de Igarapé-miri.
Partindo disso, deduz que será uma pesquisa de cunho
descritivo, pois irei descrever uma manifestação ainda não muito pesquisada,
devido ser uma manifestação recente. Mas vale lembrar que se tratará de uma
pesquisa exploratória pelo fato de se explorar um campo a ser estudado; e
explicativa por que serão explicadas suas características para um melhor
entendimento do conteúdo estudado.
Tratar-se-á de uma pesquisa de natureza qualitativa
porque serão pesquisados os atributos, características e aspectos que
qualificam a manifestação cultural do município de Igarapé-miri. Como
procedimentos a serem usados neste trabalho utilizarão pesquisa de campo, pois
se trata de descrever uma manifestação que acontece num determinado espaço e
tempo, sendo necessário ir a campo; pesquisa bibliográfica, pois terão grande
importância para o desenvolvimento do trabalho autores, livros, artigos que
conversem com o tema O encontro das cobras e pesquisa documental, sendo analisados
vídeos, fotos e outros documentos que se liguem ao assunto; Para todos esses
métodos, faz-se necessário um levantamento de dados com os próprios brincantes
da manifestação, para se comprovar com veracidade a verdade dos fatos.
Para esse levantamento de dados, serão utilizados
instrumentos como câmera, gravador, questionários, relatórios de diálogos, etc.
e também autores que dialoguem com o conteúdo. As fontes da pesquisa serão os
próprios brincantes, organizadores e admiradores do Encontro das cobras de
Igarapé-miri, os quais fazem desta manifestação uma das maiores referências
culturais da região.
Como limitações apenas as de teor bibliográfico,
pois não existem quase publicações acerca do Encontro das cobras grandes de
Igarapé-miri.
PLANO PRELIMINAR / SUMÁRIO PROVISÓRIO
Introdução
I.
O encontro
das cobras “lenda”.
I. I As
cobras grandes no Brasil.
I. II As cobras grandes de Igarapé-miri.
II.
O Festival do açaí “breve história”.
III.
Cobra
Rosalina e cobra Ponta negra
IV.
Performances
dos principais brincantes do conjunto do bairro de saída da cobra Rosalina
IV. I Performances
dos principais brincantes do conjunto do bairro de saída da cobra Ponta negra.
IV. II O
Grande encontro das cobras grandes no Centro cultura de Igarapé-miri no
Festival do Açaí.
V.
O encontro
das cobras grandes de Igarapé-miri para o mundo.
Considerações
finais.
Conclusão.
Referências
bibliográficas.
Anexos.
CRONOGRAMA
ATIVIDADES
MÊS/ANO
Entrega do Projeto de Pesquisa
|
Abril/2013
|
Estudo documental.
|
Maio a Junho/2013
|
Preparação de materiais para ida a campo
|
Julho/2013
|
Pesquisa de campo – Viagem para Igarapé-miri – E
organização de materiais obtidos.
|
Agosto/2013
|
Pesquisa de campo – O encontro das cobras em foco do
bairro da cobra Rosalina-.
|
Setembro/2013
|
Organização de materiais obtidos na Pesquisa de
campo.
|
Outubro/2013
|
Pesquisa bibliográfica e documental.
|
Novembro/2013 a Janeiro/2014
|
Pré – seleção de materiais
|
Fevereiro a Maio/2014
|
Esboço da redação
|
Junho/2014
|
Preparação de materiais para ida a campo
|
Julho/2014
|
Pesquisa de campo – Viagem a Igarapé-miri – E
organização de materiais obtidos.
|
Agosto/2014
|
Pesquisa de campo – O encontro das cobras em foco do
bairro da cobra Ponta negra-.
|
Setembro/2014
|
Organização de materiais obtidos na Pesquisa de
campo.
|
Outubro a Novembro/2014
|
Redigir o trabalho
|
Dezembro/2014 a Fevereiro/2015
|
Conclusão da redação e Revisão do texto
|
Março a Abril/2015
|
Correção do testo apontado na revisão
|
Abril/2015
|
Estudo do texto
|
Maio/2015
|
Apresentação perante a banca
|
Maio a Junho de 2015
|
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
- Cascudo, Luís da Câmara:
Antropologia do folclore brasileiro (volume 2-São Paulo: Global 2002);
- Cascudo, Luís da
Câmara: Geografia dos mitos brasileiros (2- São Paulo: Global, 2002).
- Loureiro, João de Jesus
Paes: Cultura Amazônica; Uma poética do imaginário.
São
Paulo: Escrituras Editora, 2001.
- Mendes, Éder: Dança da
onça na cena Amazônica. (Salvador. 2004);
- Sites pesquisados: acessados em 21/03/2013
