quinta-feira, 4 de abril de 2013

PROJETO DE PESQUISA




Universidade Federal do Pará - UFPA

Instituto de Ciências das Artes- ICA

Escola de Teatro e Dança da UFPA - ETDUFPA

Licenciatura Plena em Dança - 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

STEPHANY DE PAULA CASTRO BRAGA

 

 

 

 

A DANÇA DAS COBRAS NO FESTIVAL DO AÇAÍ EM IGARAPÉ-MIRI.

 

 

 

BELÉM-PA

Abril de 2013



Universidade Federal do Pará - UFPA

Instituto de Ciências das Artes- ICA

Escola de Teatro e Dança da UFPA - ETDUFPA

Licenciatura Plena em Dança - 2012

 

 

 

STEPHANY DE PAULA CASTRO BRAGA

A DANÇA DAS COBRAS NO FESTIVAL DO AÇAÍ EM IGARAPÉ-MIRI.

 

Projeto de pesquisa apresentado à coordenação do curso de Licenciatura Plena em Dança, da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, como requisito para a obtenção de nota parcial na disciplina Metodologia de pesquisa em Artes ministrada pelas Professoras Luíza Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima.

Orientador (a): EDER MENDES JASTES.

 

BELÉM-PA

2013

 

 

SUMÁRIO

1. Contextualização................................................................. 4
2. Objetivos.............................................................................. 5
3. Delimitação.......................................................................... 6
4. Justificativa.......................................................................... 8
5. Problematização e Hipótese.................................................9
6. Estado da arte e Referencial teórico....................................10
7. Metodologia........................................................................11
8. Sumário provisório.............................................................13
11. Cronograma......................................................................14
12. Referências.......................................................................15
13. Anexos..............................................................................16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONTEXTUALIZAÇÃO

Igarapé-miri é um município do estado do Pará e é conhecido como “a capital mundial do açaí”, por ser o maior produtor do referido fruto. De origem indígena, traduzido da língua tupi que dizer "Caminho de canoa pequena" - Apé ("caminho"), Ygara ("canoa") e Mirim ("pequeno"). É um município que possui uma cultura muito rica, que nem sempre foi tão valorizada, mas que agora está sendo resgatada e vista com bons olhos. O município apresenta várias atrações turísticas, entre as quais estão às festividades, destacando-se a Festividade de Santana, Festival do Camarão e Festival do Açaí.

O primeiro Festival do Açaí de Igarapé-miri aconteceu na quadra da Escola Manoel Antônio de Castro, no ano de 1991, tendo como um de seus pioneiros o jornalista miriense Dorival Galvão, sendo que, com o passar dos anos, tal manifestação foi crescendo e hoje é considerado um dos mais tradicionais festivais da região. No Festival do Açaí, o objetivo maior é celebrar o açaí, fruto mais rico da região, que move o município. No festival há várias iguarias feitas do fruto, como bolo, sorvete, doces, e outros. No almoço do festival se come camarão, peixes e charque, alimentos típicos da região acompanhados do açaí. Nos três dias em que a programação ocorre há a exibição de diversas atrações como shows de bandas e músicos locais, danças regionais, etc. Entre estas atrações, a mais esperada, nos últimos anos, é O encontro das cobras.

O encontro das cobras teve seu início no ano de 2009, dentro do Festival do Açaí; Na manifestação, as cobras partem dos bairros do Jatuíra e Tucumã, andando em cortejo pelas ruas da cidade, que meses antes do Festival, já começa a confeccionar os adereços utilizados na manifestação, que são feito de pano, isopor, tintas, objetos artesanais e outros aviamentos. Os moradores do local ficam na expectativa para o grande encontro, tanto as famílias que saem juntos festejando ao lado da cobra do seu respectivo bairro, quanto o restante da população que ficam a espera, aguardando tal encontro.

 

 

 

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL: Descrever o encontro das cobras no festival do açaí no município de Igarapé-miri.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Apresentar a lenda da cobra grande, Boiúna, na região amazônica com ênfase no Encontro das cobras de Igarapé-miri.
  • Explicar como se dá o encontro das cobras no festival do açaí em Igarapé-miri.
  • Registrar a manifestação O encontro das cobras, a partir de uma perspectiva antropológica.
  • Refletir sobre a espetacularidade no encontro das cobras, partindo de um olhar cênico e etnocenológico, sobre as performances executadas nas apresentações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DELIMITAÇÃO

O encontro das cobras no Festival do Açaí, em Igarapé-miri, retrata a história da luta das cobras grandes Rosalina e Ponta negra, ao se encontrarem na boca do rio que banha Igarapé-miri. Diz a lenda que em uma tribo de índios que moravam as margens do igarapé Tatin com a junção do rio Mamangal, houve um assassinato do Cacique da tribo Anam pelo próprio filho, devido a esposa do filho ser amante do cacique. Por ter ocorrido este fato, a tribo teve que se mudar da região, sendo atacada por uma tribo rival chamada Camarapins, exatamente no momento em que passavam pelo rio Meruú. Mas a Deusa da Vingança, que protegia a tribo dos Anam, apareceu montada em sua enorme cobra grande de estimação que morava no rio Mamangal. Foi então que a Deusa da vingança rogou uma praga para a tribo dos Camarapins, que de cem em cem anos naquela tribo nasceriam duas cobras encantadas.

Os Camarapins intercederam para a Deusa protetora de sua tribo, a Deusa da Redenção, sendo que esta disse que, para quebrar com a maldição, teria que pingar o leite de uma índia que não fosse a mãe das cobras encantadas, na testa das cobras, mas infelizmente no tempo em que as cobras nasceram não havia outra mulher de parto. Em consequência disso, as duas tribos se extinguiram com a civilização, mas dos descendentes da tribo que moravam no rio Cají, perto do Meruú, nasceram duas cobras, uma delas foi morta pela parteira e a outra batizada de Rosalina e solta no rio Cají. Com o tempo foi se esquecendo da história, foi então que a família da cobra Rosalina se mudou para o Muncípio de Igarapé-miri velho.

 A família da cobra Rosalina se mudou para o a sede de Igarapé-miri Velho, e ela acompanhou a família até a Boca de Espera, no qual foi atacada pela Cobra Grande Ponta Negra, que já habitava o rio que banha Igarapé-miri. Foram três dias de batalha. Foi então que a Rosalina enfiou uma estaca de madeira nos olhos da cobra Ponta Negra que, com muita dor, largou a cobra Rosalina; Esta começou a habitar na parte mais larga do pequeno rio do Jatuíra, e hoje é reconhecido devido a Cobra Rosalina descansar no fundo de um poço, no rio. E a Cobra Ponta Negra saiu em direção a Vila Maiuatá.

Esta história é ilustrada no Encontro das cobras no Festival do Açaí, em Igarapé-miri. Após percorrerem as ruas da cidade, uma para cada lado, elas se encontram dentro do Centro cultural onde acontece o Festival do Açaí quando todos já estão aguardando o desfecho. É quando acontece o encontro das cobras grandes, um desfile de espetacularidades, cada um com sua performance, encenando seus personagens com danças ou pequenos cenas teatrais. Assim acontece o encontro das cobras; encenações da lenda em forma de teatro e danças que retratam a história das cobras e mobiliza grande parte da população local.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JUSTIFICATIVA

Como justificativa pessoal trago minha vivência cultural em Igarapé-miri. Primeiro nascida e criada no município de Igarapé-miri, desde criança participava de todos os festivais com danças regionais e tudo que estava relacionado a cultura eu estava inserida. Até que, em 2008, tive que mudar de cidade e fui morar em Mosqueiro; Com isso, me afastei da dança, da cultura de Igarapé-miri, mas as lembranças e tudo que dancei, participei e vivi naquele município jamais eu vou esquecer. O amor que eu tenho pela dança veio de lá, toda a minha cultura nasceu lá. Infelizmente esse Encontro das cobras veio acontecer só no ano de 2009, no Festival do Açaí. Quando falo “infelizmente”, eu quero dizer que é devido a não ter estado presente nesse momento que é histórico para a história de Igarapé-miri.

É de grande importância trazer este movimento cultural do município para a Universidade, pois, como aluna, ao pesquisar sobre este movimento cultural de Igarapé-miri, não consegui encontrei registros; o que encontrei era superficial. Com minha pesquisa irei contribuir para a Etnocenologia, pois estuda as diferentes manifestações espetaculares. Também venho trazer o estudo da dança das cobras que é uma rica cultura não tão conhecida. Trago isto como relevância acadêmica.

No âmbito social, primeiramente, falo por mim e, tenho certeza que, através das minhas palavras, ela irá preencher a relevância social; Quando leio alguma informação sobre minha terra natal, ou sobre lendas, ou qualquer outra informação que vem se referir da minha origem, eu fico muito feliz em saber que alguém olha para nossa região, nossa história, nossas lendas, mitos etc. Fico passeando nas minhas lembranças quando eu ouço e vejo falarem sobre a minha cultura. E isso faz com que eu queira escrever sobre o encontro das cobras de Igarapé-miri, pois sei que a população de lá vai sentir as mesmas sensações que eu sinto quando leio sobre minha terra. E sei que essa pesquisa que irei fazer vai enriquecer mais ainda a cultura popular de Igarapé-miri, contribuindo assim para a cultura local.

 

 

 

PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESE

Como descrever o Encontro das cobras no Festival do Açaí do município de Igarapé-miri?

Através de um estudo de campo, antes e durante o Festival para que eu possa vim conhecer de fato como é que se dá este espetáculo. Para que eu possa descrever cada pedaço do espetáculo, do início ao término, do encontro das cobras, terei primeiro que conhecer bastante sobre este manifestação; E dentro da pesquisa de campo que farei, vou entrevistar cada brincante, desde a que faz a cobra, até a costureira que faz a roupa desta, para saber se há uma relação antes, de todos os que estão envolvidos no espetáculo. E é a partir desta pesquisa de campo, com entrevistas e filmagens que irei descrever tudo o que eu presenciei como pesquisadora, para repassar esta pesquisa para um trabalho mais elaborado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESTADO DA ARTE e REFERENCIAL TEÓRICO

O encontro das cobras no município de Igarapé-miri trata-se de uma manifestação cultural na qual a população representa uma lenda através da dança e teatro, um desfile de expressão social que está inserido no coletivo. E sobre essa manifestação cultural Paes Loureiro diz:

O folclore, cuja compreensão e cujo conceito foram transportados a bagagem do processo colonizado, implica uma forma de manifestação cultural reconhecidamente antiga, sem identificação de autoria, revelando peculiaridade do temperamento de uma sociedade numa fase de sua história cultural e representando uma forma de expressão social, tanto que a individualidade criadora está absorvida por sua expressão coletiva. (LOUREIRO, PAES 2000, p. 32)

Uma luta entre as cobras grandes é o que acontece no encontro das cobras na lenda, uma disputa de território. E o encontro das cobras, que acontece dentro do Festival do Açaí é exatamente isso, um espetáculo que saem de um bairro e passeiam pelas ruas que ao se encontrarem há uma disputa, e Eder Mendes (2004) dizEssa tensão, que leva a disputa de poder, consequentemente resulta em brigas, retrato do jogo social... Ou seja, é a espetacularidade dos cantos e esquinas, bairros e cidades”.

Na lenda das cobras grandes Rosalina e Ponta negra, cada uma habitam em um rio e só acontece a disputa no momento em que a cobra Rosalina passa pelo rio da cobra Ponta negra e para este acontecimento há uma explicação que Luís da Câmara diz sobre a respeito que “É a explicação dada aos estudiosos. Cada igarapé, rio, lago, tem sua Mãe e esta só aparece como uma imensa serpente”. ( CASCUDO, LUÍS CÂMARA 2002, p.154).

 

Seguindo a linha de José Carvalho apud Cascudo, Luís Câmara que diz:

A muita gente, ha de parecer fácil colher, entre o povo, fatos que sirvam para o registro e documentação de estudos folclóricos. Assim não é, no entanto. Viva-se por longos tempos convivendo com o povo simples dos sertões, e muita coisa interessante não se lhe ouvi, senão, muitas vezes, ocasionalmente. Se o fato é conhecido do investigador, e se por ele se indaga, fácil será conhecê-lo; mas, não o sendo, eis aí a dificuldade. (CARVALHO, JOSÉ 1872-1933, p. 156)

 

E é isso que eu irei fazer, várias pesquisas de campo para que eu possa registrar fatos que só vivenciando por um tempo, em uma determinada localidade podem-se conseguir esses fatos, que por muitas vezes são soltos em conversas que não necessariamente são as feitas em pesquisa, que com um espírito investigativo acaba-se inserindo no trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

METODOLOGIA

 

Como método de abordagem para esta pesquisa irei utilizar o método etnográfico, pois se realizará um estudo descritivo acerca dos aspectos culturais e sociais de determinado povo, que no caso é os moradores dos bairros na qual saem as cobras, através de obtenção de dados em pesquisa de campo de valor antropológico. Esta pesquisa, a partir de seu objetivo maior, tem uma finalidade básica que é contribuir para o avanço do conhecimento teórico sobre o Encontro das cobras de Igarapé-miri.

Partindo disso, deduz que será uma pesquisa de cunho descritivo, pois irei descrever uma manifestação ainda não muito pesquisada, devido ser uma manifestação recente. Mas vale lembrar que se tratará de uma pesquisa exploratória pelo fato de se explorar um campo a ser estudado; e explicativa por que serão explicadas suas características para um melhor entendimento do conteúdo estudado.

Tratar-se-á de uma pesquisa de natureza qualitativa porque serão pesquisados os atributos, características e aspectos que qualificam a manifestação cultural do município de Igarapé-miri. Como procedimentos a serem usados neste trabalho utilizarão pesquisa de campo, pois se trata de descrever uma manifestação que acontece num determinado espaço e tempo, sendo necessário ir a campo; pesquisa bibliográfica, pois terão grande importância para o desenvolvimento do trabalho autores, livros, artigos que conversem com o tema O encontro das cobras e pesquisa documental, sendo analisados vídeos, fotos e outros documentos que se liguem ao assunto; Para todos esses métodos, faz-se necessário um levantamento de dados com os próprios brincantes da manifestação, para se comprovar com veracidade a verdade dos fatos.

Para esse levantamento de dados, serão utilizados instrumentos como câmera, gravador, questionários, relatórios de diálogos, etc. e também autores que dialoguem com o conteúdo. As fontes da pesquisa serão os próprios brincantes, organizadores e admiradores do Encontro das cobras de Igarapé-miri, os quais fazem desta manifestação uma das maiores referências culturais da região.

Como limitações apenas as de teor bibliográfico, pois não existem quase publicações acerca do Encontro das cobras grandes de Igarapé-miri.

 

PLANO PRELIMINAR / SUMÁRIO PROVISÓRIO

 

Introdução

                          I.            O encontro das cobras “lenda”.

I. I As cobras grandes no Brasil.

 I. II As cobras grandes de Igarapé-miri.

 

                       II.             O Festival do açaí “breve história”.

 

                    III.            Cobra Rosalina e cobra Ponta negra

 

                    IV.            Performances dos principais brincantes do conjunto do bairro de saída da cobra Rosalina

IV. I Performances dos principais brincantes do conjunto do bairro de saída da cobra Ponta negra.

IV. II O Grande encontro das cobras grandes no Centro cultura de Igarapé-miri no Festival do Açaí.

 

                       V.            O encontro das cobras grandes de Igarapé-miri para o mundo.

 

Considerações finais.

Conclusão.

Referências bibliográficas.

Anexos.

 

 

 

 

CRONOGRAMA

                           ATIVIDADES                                                                  MÊS/ANO

Entrega do Projeto de Pesquisa
Abril/2013
Estudo documental.
Maio a Junho/2013
Preparação de materiais para ida a campo
Julho/2013
Pesquisa de campo – Viagem para Igarapé-miri – E organização de materiais obtidos.
Agosto/2013
Pesquisa de campo – O encontro das cobras em foco do bairro da cobra Rosalina-.
Setembro/2013
Organização de materiais obtidos na Pesquisa de campo.
Outubro/2013
Pesquisa bibliográfica e documental.
Novembro/2013 a Janeiro/2014
Pré – seleção de materiais
Fevereiro a Maio/2014
Esboço da redação
Junho/2014
Preparação de materiais para ida a campo
Julho/2014
Pesquisa de campo – Viagem a Igarapé-miri – E organização de materiais obtidos.
Agosto/2014
Pesquisa de campo – O encontro das cobras em foco do bairro da cobra Ponta negra-.
Setembro/2014
Organização de materiais obtidos na Pesquisa de campo.
Outubro a Novembro/2014
Redigir o trabalho
Dezembro/2014 a Fevereiro/2015
Conclusão da redação e Revisão do texto
Março a Abril/2015
Correção do testo apontado na revisão
Abril/2015
Estudo do texto
Maio/2015
Apresentação perante a banca
Maio a Junho de 2015

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • Cascudo, Luís da Câmara: Antropologia do folclore brasileiro (volume 2-São Paulo: Global 2002);
  • Cascudo, Luís da Câmara: Geografia dos mitos brasileiros (2- São Paulo: Global, 2002).
  • Loureiro, João de Jesus Paes: Cultura Amazônica; Uma poética do imaginário. São Paulo: Escrituras Editora, 2001.
  • Mendes, Éder: Dança da onça na cena Amazônica. (Salvador. 2004);

 

  •  Sites pesquisados: acessados em 21/03/2013

 


 


 


 

  

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